Arquiteta vai usar conceito de caminhabilidade para dar notas às calçadas de Florianópolis

16/04/2012

As cidades têm um espaço físico limitado. Com o passar do tempo, enquanto praças e espaços públicos dão lugar a postes, casas e edifícios, ruas e avenidas vão sendo tomadas por cada vez mais carros, motos e caminhões. O desenvolvimento faz com que os veículos tornem-se cada vez mais velozes e os espaços ainda mais apertados, deixando de lado aquele que é o mais antigo e cada vez mais esquecido modo de locomoção: usar os próprios pés. Caminhar dentro de uma cidade tornou-se difícil, e é por isso que foi criado o conceito de walkability, ou caminhabilidade. 

Surgido no Canadá, o conceito de índice de caminhabilidade urbana pretende dar uma nota, de zero a dez, para o quão "amigável" é a calçada ou o passeio público para com o pedestre. Essa nota abrange desde a acessibilidade e o espaço físico disponível até a presença de obstáculos e o nível de segurança no local. Uma calçada esburacada, mal sinalizada e com postes de energia no meio do caminho, por exemplo, receberia uma nota de baixo valor. Mas a ideia de caminhabilidade é ainda mais ampla, e tem como objetivo principal tornar as cidades mais humanas. 

Os próprios níveis de poluição visual e sonora são avaliados pelo conceito. Ainda que seja segura e bem sinalizada, uma calçada adjacente a uma avenida de alta velocidade e assolada pelo barulho de buzinas e freadas não é considerada amigável para um pedestre transitar tranquilamente e, portanto, não teria uma nota alta. De uma forma rude, pode-se dizer que um passeio público com alto índice de caminhabilidade é aquele que "faz um convite à caminhada", como definiu o engenheiro civil Roberto Ghidini, um dos fundadores da ONG Sociedad Peatonal (SP), destinada a melhorias nas calçadas urbanas. 

Em breve algumas calçadas de Florianópolis receberão suas primeiras notas de acordo com a ideia de caminhabilidade. A arquiteta Camila Zabot está aplicando o conceito à capital de Santa Catarina para desenvolver uma tese de mestrado, que será apresentada no início de 2013 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): "Quis trazer o conceito para cá após algumas viagens. Em Barcelona, por exemplo, o índice de caminhabilidade é ótimo", explica a arquiteta. 

Fatores como o material utilizado na construção do piso, a largura da calçada e a quantidade de residências que circundam a área são alguns dos critérios a serem avaliados por Zabot. Segundo ela, a princípio apenas as regiões próximas à UFSC serão focadas para o estudo. A partir daí é possível que, num futuro próximo, toda a Capital possa ser mapeada com relação ao índice de caminhabilidade urbana. 

Duplicação no Pantanal - Professor da UFSC defende criação de comissão para solucionar falhas no projeto

12/04/2012

Para Lino Peres, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, obra deve ser discutida abertamente com Prefeitura e comunidade 

Não será fácil a solução do imbróglio que envolve a duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, no bairro Pantanal. Após a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vetar a liberação de 18 mil metros quadrados do campus estudantil para que a obra seja realizada, a Prefeitura de Florianópolis reagiu com fortes críticas à entidade. A pressão sobre a UFSC aumentou após a Prefeitura divulgar na íntegra o projeto que detalha as mudanças a serem feitas na área, assolada por intermináveis engarrafamentos. 

O projeto em questão, no entanto, é justamente o motivo para o Conselho Universitário da UFSC ter vetado a cessão do terreno. Isso porque, segundo especialistas em mobilidade urbana e professores ligados à entidade, o projeto desenhado em 2003 está defasado e não solucionará o problema da falta de mobilidade na região central da Ilha de Santa Catarina. "Estamos envolvidos nisso há mais de dez anos, desde a prefeitura da Ângela Amin, quando não havia recurso para a realização do projeto", explica o professor Lino Peres, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, que completa: "Essa é uma proposta recuada da proposta original".

Políticos envolvidos com a duplicação não aceitaram a explicação dada pelo Conselho Universitário e reagiram. O Vice-Prefeito e Secretário de Transportes, Mobilidade e Terminais, João Batista Nunes, classificou como irresponsável a recusa da UFSC em ceder o terreno, enquanto o Deputado Estadual Marcos Vieira (PSDB) declarou que pretender criar um projeto de lei que obrigue a universidade a devolver a área requisitada ao Estado. Especialista em Sistemas Inteligentes de Transporte e professor de engenharia e controle de automação na UFSC, Werner Kraus Júnior rebateu as acusações: "Não estamos em guerra com a Prefeitura, o que queremos é um projeto mais consistente".

Segundo Lino Peres, o próximo passo a ser tomado é formar uma comissão de especialistas que irá analisar o projeto da Prefeitura e contribuirá com sugestões para solucionar os pontos falhos. "Essa mudança precisa ser discutida abertamente", diz o professor de arquitetura. "A universidade não vai se negar a ajudar a solucionar a questão, mas é obrigação da Prefeitura assumir seus compromissos". Ainda de acordo com Peres, a ideia é que a própria Prefeitura apresente um ou mais especialistas para fazerem parte da comissão, juntamente com pessoas ligadas à universidade. "É preciso ver se a Prefeitura está disposta", finaliza. 

Duplicação no Pantanal - Vice-Prefeito defende projeto apresentado pela Prefeitura: "Está tudo dentro das normas"

30/03/2012

Na manhã desta sexta-feira, dia 30, foi apresentado no Gabinete da Prefeitura de Florianópolis o projeto de duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, no bairro Pantanal. A obra vem sendo alvo de polêmica nas últimas semanas devido a um desentendimento entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que reluta em ceder o espaço necessário para a obra, e a Prefeitura. Além do Prefeito Dário Berger, estiveram presentes no evento o Vice-Reitor da UFSC, Carlos Alberto Justo, e o Vice-Prefeito e Secretário de Transportes, Mobilidade e Terminais, João Batista Nunes. 

A UFSC argumenta que o projeto da obra, que consta no Plano Diretor da cidade desde a década de 70 e que foi rediscutido e finalizado em 2003 pela empresa PROSUL, está defasado e não resolveria o problema da falta de mobilidade na região central da Ilha. A universidade quer que um novo projeto seja desenvolvido para, aí sim, ceder 18 mil metros quadrados do campus para a realização das modificações. A Prefeitura não aceita a explicação da UFSC e deseja a cessão imediata do terreno. 

"Nós apenas mostramos para a cidade um projeto que já foi amplamente discutido e que está completo: ciclovias, sistema binário, licença ambiental, tudo está dentro das normas", declarou o Vice-Prefeito João Batista Nunes, em entrevista ao portal MObfloripa. Orçada em R$ 6 milhões, a duplicação compreenderia um trecho de cerca de 1 km entre a Eletrosul e a entrada do bairro Córrego Grande, e incluiria ainda a instalação de ciclovia, canteiro central e uma faixa exclusiva para o trânsito de ônibus. 

Na semana passada, o Conselho Universitário da UFSC divulgou um parecer reforçando que não cederá a área solicitada enquanto não for criado um novo projeto. Questionando o porquê da universidade não apresentar por conta própria um projeto executivo superior, o Vice-Prefeito defendeu o projeto da Prefeitura: "É uma obra que prioriza principalmente a universidade, a comunidade e, acima de tudo, a cidade. Vai melhorar em tudo o trânsito na região e trará um benefício enorme até para a saúde das pessoas".

O próprio Vice-Prefeito, no entanto, não demonstrou otimismo quanto a um avanço na negociação: "O Vice-Reitor esteve presente na reunião e fez as ponderações necessárias, agora estamos aguardando um novo contato da UFSC. Mas seria um erro meu dizer que 'agora vai'. Vamos aguardar", encerrou. 

Duplicação no Pantanal - Vice-Prefeito rebate alegação da UFSC e desafia: "Que apresentem um projeto executivo"

29/03/2012

A recusa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em ceder a área necessária para a duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, no bairro Pantanal, gerou desconforto entre a instituição de ensino e a Prefeitura de Florianópolis. 

Após reunião realizada na semana passada, o Conselho Universitário vetou a cessão dos 18 mil metros quadrados solicitados pela Prefeitura para a realização da obra, que visa diminuir o tráfego intenso e desordenado na região central da Ilha. Para a UFSC, o projeto que a Prefeitura tem em mãos está defasado e não solucionará o problema da falta de mobilidade na região; a instituição exige a criação de um novo projeto, em um prazo de seis meses, para aí sim fazer a cessão da área requisitada. 

A decisão da universidade desagradou a Prefeitura, que espera finalizar a obra ainda em 2012. Em entrevista ao portal MObfloripa, o Vice-Prefeito e Secretário de Transportes, Mobilidades e Terminais de Florianópolis, João Batista Nunes, rebateu a explicação do Conselho Universitário: "O que a UFSC alega não é verdadeiro. É uma irresponsabilidade perante o desenvolvimento da cidade". 

Segundo o Secretário, o projeto de duplicação da Rua Dep. Antônio Edu Vieira com que a Prefeitura trabalha não está desatualizado, como alega a UFSC. "Se está, então eles (a UFSC) têm que apresentar um projeto executivo para a cidade", desafiou o Vice-Prefeito. Ele afirmou ainda que nesta sexta-feira, dia 30, será apresentado um projeto sobre mobilidade urbana que abrangerá toda a Capital, inclusive a questão da duplicação no Pantanal. A apresentação vai ocorrer às 10h, no gabinete da Prefeitura. 

Duplicação no Pantanal: "Não estamos em guerra com a Prefeitura", diz professor da UFSC

23/03/2012

Duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira virou alvo de debate e gera críticas de ambos os lados

A duplicação da Rua Deputado Antônio Edu Vieira, no bairro Pantanal, é o mote central de uma polêmica que vem crescendo em Florianópolis nas últimas semanas. A região sofre com engarrafamentos diários e é um dos principais gargalos no trânsito da cidade, já que é um ponto de convergência nos deslocamentos entre o Centro e o Sul ou o Leste da Ilha. Além disso, a povoada região abriga bairros residenciais, um shopping-center e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que pode ter a chave para solucionar o problema. Um desentendimento entre a instituição e a Prefeitura Municipal de Florianópolis, no entanto, ameaça essa solução.

Tanto UFSC quanto Prefeitura concordam: é preciso duplicar a Rua Deputado Antônio Edu Vieira, ou a situação só tende a piorar. Para tanto, a Prefeitura quer que a universidade ceda uma faixa de cerca de 1 km de extensão e 18 mil metros quadrados na área de desporto do campus. Com mais pistas na rua, seria instalada no local uma via rápida, onde só seria permitido o trânsito de ônibus. O problema é que a universidade não aceita o projeto com que a Prefeitura trabalha atualmente, que foi desenvolvido em 2003. 

"Nesse meio tempo foram criados o shopping, diversos empreendimentos imobiliários e a UFSC cresceu. Não há nem um estudo de impacto na vizinhança nesse projeto", explica o estudante de economia Arland Costa, membro do Conselho Universitário da UFSC. O mesmo conselho divulgou um parecer na última terça-feira, dia 20, afirmando que não cederá a área solicitada pela Prefeitura enquanto não for feito um novo projeto. Este deve ser criado em parceria pela UFSC e pela própria Prefeitura, além de atender às demandas dos moradores da região. Além disso, a universidade quer garantias de que a Prefeitura terá recursos para finalizar as mudanças sem que ocorram adiamentos.

"Queremos um projeto mais consistente, que priorize o ônibus e resolva o problema dos carros", afirma o professor de engenharia e controle de automação Werner Kraus Júnior, especialista em Sistemas Inteligentes de Transporte. O novo projeto teria um prazo de seis meses para ser concluído. A negativa do Conselho Universitário, no entanto, não foi bem aceita pela Prefeitura, que tem a expectativa de concluir a obra ainda em 2012. O vice-prefeito e Secretário de Transportes, João Batista, fez fortes críticas à instituição e classificou a medida como um "retrocesso".

Outro político que criticou com veemência a posição da UFSC foi o deputado estadual Marcos Vieira (PSDB). Em tom de retaliação, Vieira declarou que vai propor um projeto de lei que reverta para o Estado todo o terreno que havia sido doado à universidade e que é necessário para a duplicação. O Estado, então, cederia a área à Prefeitura antes do início das obras. O deputado chegou a acusar a UFSC de ser a grande culpada pela falta de mobilidade na região, o que é negado pelo Conselho Universitário.

"Nós não estamos em guerra com a prefeitura", rebate o professor Werner Kraus Júnior. Segundo ele, a posição atual da UFSC é apenas para garantir que o problema da falta de mobilidade no entorno da universidade seja analisado e solucionado pensando no futuro, e não apenas de forma paliativa. "A UFSC não está se negando a ceder a área. Temos capacidade intelectual acumulada para, junto com a Prefeitura, desenhar o projeto de forma correta". 

Conheça o parecer do conselho Universitário 
Processo 23080.049997/2011-10

Requerente: Gabinete do Reitor
Assunto: Cessão de área da UFSC para alargamento da Rua Deputado Antônio Edu Vieira.
Relator: Conselheiro Juarez Vieira do Nascimento
Relator de Vistas: Conselheiro Sergio Luis Schlatter Junior



Senhor Presidente e demais conselheiros e conselheiras do Egrégio Conselho Universitário,

Tendo em vista os últimos debates e elementos trazidos por vários dos conselheiros e, sobretudo, pelo parecer de vistas em nossa última sessão, no dia 13 de março, nós relatores do processo em questão apresentamos um parecer único que segue.

Em primeiro lugar é importante ressaltar que a Universidade Federal de Santa Catarina não aceita ser responsabilizada pelos problemas de mobilidade da capital. Não temos, como afirmam alguns seguimentos da mídia a obrigação de ceder o terreno em questão para o alargamento da Deputado Antônio Edu Vieira. No entanto reconhecendo nosso importante papel social para com a cidade estamos dispostos a ceder á área em discussão para a melhoria da mobilidade urbana na cidade desde que a Prefeitura Municipal de Florianópolis (PMF) apresente um projeto que contemple os interesses dos moradores do entorno e seja respaldado por estudos atualizados e complementados com os estudos não apresentados, como o estudo de impacto ambiental, estudo de impacto de vizinhança e estudo de origem e destino de viagem.

Importante ressaltar mais uma vez que, a UFSC não é a única grande geradora do tráfego na região citada. Esta área da cidade cresceu muito de 2003 (quando começaram os estudos para a duplicação) para cá, com a implantação de um grande shopping center e a autorização para a construção de inúmeros prédios e empreendimentos comerciais, o que multiplicou o número de veículos em circulação ao redor da Universidade e nos bairros próximos. Basta contar os carros estacionados no Campus Trindade e chegaremos a conclusão que não são esses carros os culpados pelos engarrafamentos na região.

Além disso, a qualidade do transporte público não melhorou nos últimos anos e, em relação à duplicação da via citada, também não foi apresentado um projeto específico, atendendo à demanda crescente pelo uso do transporte coletivo. A única proposta diz respeito à implantação do sistema BRT (sigla para Bus Rapid Transit, trânsito rápido de ônibus), que ainda se encontra no nível de contratação de empresa para a elaboração do projeto. Sendo que o projeto apresentado no processo em questão não prevê o BRT e inviabiliza sua implantação sem adequações.
Outro argumento é de que não temos garantia de que há recursos assegurados para a execução da obra, o que leva a considerar que ela pode ser iniciada, mas dificilmente será concluída dentro do prazo previsto de 12 meses, causando transtornos ainda maiores que os atuais nas vias do entorno da Universidade.

Também é temerário acreditar que apenas a duplicação do trecho de um quilômetro entre o restaurante Dona Benta e a Eletrosul eliminará os engarrafamentos, porque há outros gargalos, como, por exemplo, o da entrada no bairro Pantanal, na altura do Armazém Vieira, o do Córrego Grande, o dos altos da Carvoeira, dentre outros, não contemplados no projeto da prefeitura.

Vale ressaltar que a UFSC está disposta a ceder a área a partir da elaboração de um novo projeto onde nós enquanto instituição de ensino, pesquisa e extenssão possamos contribuir, colocando a disposição da cidade nosso conhecimento para pensar um projeto que de fato vá melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis. Nosso sentimento é que podemos colaborar muito mais do que com uma simples cessão de área, podemos e queremos contribuir mais do que isso.

Por fim sinalizamos a necessidade de haver um parecer jurídico a fim de sanar as inseguranças e incertezas legais desse processo de cessão de terreno da união para a PMF.

O parecer dos relatores é: contrário a cessão do terreno nos termos postos para realização da reforma pretendida na Rua Deputado Antônio Edu Vieira e propõe um prazo de seis meses como prazo para a apresentação de nova proposta construída por comissão composta pela PMF, Universidade Federal de Santa Catarina e Comunidade,contendo, obrigatoriamente, discussão ampla e apresentação do novo projeto para a comunidade universitária e do entorno.

Florianópolis, 20 de março de 2012.

Juarez Vieira do Nascimento
Relator

Sergio Luis Schlatter Junior
Re 

Primeira Peladada de Florianópolis atrai centenas de curiosos e chama atenção pelas ruas da Capital

12/03/2012

Cerca de 150 ciclistas tiraram a roupa e participaram da primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis, a Peladada (World Naked Bike Ride para o restante do mundo), na noite de sábado, dia 10. O bem-humorado protesto contou com a adesão tanto dos ciclistas jovens quanto dos mais experientes, homens e mulheres, e chamou muita atenção pelas ruas da capital catarinense. Somente no ponto de encontro, em frente ao Shopping Iguatemi, aproximadamente 300 curiosos agromeraram-se para acompanhar a preparação e a largada para o passeio.

"Você aí parado, vem pedalar pelado"

Os participantes começaram a chegar ao ponto de encontro por volta das 18h, a maioria ainda nitidamente receosa quanto a tirar a roupa. Coube a alguns dos maiores incentivadores do movimento, como o estudante Fabiano Faga Pachecho, dar o pontapé inicial. Apenas de sunga, o manifestante ajudava outros ciclistas a pintarem frases de efeito no corpo, como: "Sou frágil, respeite!", "Só assim você me vê" e "+ Amor - Motor". Por volta das 19h, já tomados de coragem, os ciclistas despiram-se quase que por completo. Até as mulheres presentes desenharam corações e mensagens pelo corpo e deixaram para trás as vestimentas. 

Como é de costume nas Bicicletadas em Florianópolis, o biólogo Daniel de A. Costa fez um breve discurso antes da largada. Um dos ciclistas que mais cobra as autoridades por melhorias no trânsito e por mais respeito à bicicleta na Capital, Costa orientou os demais manifestantes a agirem de forma pacífica nas ruas, sem provocar os motoristas dos carros, e a pedalarem sem pressa e sempre em grupo. "Não estamos aqui para fazer apologia ao sexo ou à nudez, e sim ao fato de que nos sentimos nus e desprotegidos no trânsito", declarou o biólogo.

"Menos carro, mais bicicleta"

Entoando cantos que pedem por menos pressa e mais segurança na ruas, o grupo deslocou-se pelos bairros Santa Mônica, Itacorubi, Córrego Grande, Trindade, 
Agronômica e Centro, na região mais populosa da Capital, totalizando cerca de 25km percorridos. Ao contrário do que acontece durante algumas Bicicletadas, a Peladada foi fortemente apoiada pela maioria dos motoristas e moradores que cruzavam o caminho dos manifestantes. Ainda assim, nas redes sociais pela Internet puderam ser lidas diversas críticas ao movimento, a maioria estigmatizando os ciclistas como desocupados ou caracterizando a iniciativa como apologia ao sexo.

No mesmo dia foram realizadas Peladadas em outras cidades importantes da América do Sul, como São Paulo e Santiago, no Chile.Saiba mais sobre Bicicletas, em seção dedicada no MObfloripa.

I Fórum Mundial da Bicicleta é marcado por homenagens, protestos e discussão sobre o papel da bike na mobilidade urbana

28/02/2012
Porto Alegre sediou, entre quinta-feira (23) e domingo (26) passados, o I Fórum Mundial da Bicicleta. Milhares de ciclistas de diversas partes do país e do mundo participaram do evento, sediado na Usina do Gasômetro, com palestras sobre diversos assuntos relacionados ao uso da bicicleta, além de oficinas e passeios em grupo pelas ruas da capital gaúcha. A data do Fórum foi escolhida por marcar um ano da trágica edição da Bicicletada em que 17 pessoas foram brutalmente atropeladas e feridas pelo funcionário público Ricardo Neis. Apesar do caso ter chocado o mundo, Neis segue em liberdade. 

Na quinta, primeiro dia do Fórum, foram realizados painéis e apresentações sobre a mobilidade urbana e o papel que a bicicleta pode ter no cotidiano das cidades. Professores, empresários e consultores defenderam a integração da bicicleta ao sistema de transporte público, sugerindo, por exemplo, a instalação de bicicletários seguros dentro dos terminais de ônibus. Foram exemplificados os casos de países como a Holanda, onde a bicicleta é considerada um meio de transporte vital e há ciclovias por todo o território nacional. Outro assunto abordado foi o preconceito, já que boa parte da população brasileira considera que andar de bicicleta é sinônimo de pobreza, e não uma opção. 

O destaque do Fórum aconteceu na sexta à noite, quando mais de 1,5 mil pessoas participaram da Bicicletada em homenagem às vitimas do atropelamento em massa ocorrido no ano passado. Conhecido em Porto Alegre como Massa Crítica (Critical Mass em inglês), o passeio pelas ruas da cidade contou com a participação do norte-americano Chris Carlsson, um dos idealizadores do movimento original, criado em São Francisco. No local do atropelamento, na Rua José do Patrocínio, os ciclistas deitaram no chão e ocuparam o quarteirão para homenagear as pessoas que foram atropeladas. Durante o dia foram realizadas oficinas que trataram de diversos assuntos, desde instruções para iniciantes no uso da bike até formas de usar a energia solar como combustível para a locomoção.

No sábado, além de outras palestras, dois novos passeios em grupo foram realizados. O primeiro foi mais uma homenagem ao caso do atropelamento de 2011 e, quando o grupo chegou ao local do ocorrido, vítimas relataram as dificuldades na recuperação física e psicológica após o incidente. Mais tarde, de forma bem-humorada, pouco mais de 100 pessoas participaram da primeira Pedalada Pelada da cidade. Vestidos apenas com as roupas de baixo, os ciclistas protestaram por melhores condições e por menos carros nas ruas, gritando frases como: "Nus, é assim que nos sentimos no trânsito". 

O último dia do Fórum Mundial da Bicicleta foi marcado por palestras sobre Internet, ciclismo profissional, meio-ambiente e pela oficina sobre a Bicicletada Nacional para a Rio +20, conferência que será realizada em junho no Rio de Janeiro. No fim, shows das bandas Plá, Apanhador Só e Bandinha Di Dá Dó encerraram o evento, comprovando que os defensores da bicicleta não estão para brincadeira.

De bike até POA

Um grupo de ciclistas partiu de Florianópolis com três dias de antecedência em direção ao Fórum, em Porto Alegre. Eles pedalaram por cerca de 500 quilômetros na serra e em estradas de terra pouco conhecidas. Segundo o estudante de cinema Vinícius Leyser da Rosa, o esforço valeu a pena. Confira o relato da viagem que Leyser descreveu na rede social Facebook:

"Pedalar pela serra por 3 dias com mais de 35ºC e nenhuma nuvem, 100km por dia, com muita subida, algumas descidas muito boas, cachoeiras, cidadezinhas minúsculas, estradas de terra e paisagens únicas."

"Descobrir que na verdade nem tudo são flores, porque o que tem de desmatamento, erosão, pinus, milho e frango não é brincadeira"

"Parar no hospital em Turvo por desidratação, tomar 1L de soro na veia e ainda pedalar 90km de tarde pra não atrasar muito a viagem"

"Pedalar 180km em um dia pra chegar em Porto Alegre pelo menos no dia certo, ainda que só as 23h"

"Pedalar com mais 1800 ciclistas numa Bicicletada que ocupou literalmente quilometros das ruas de Porto Alegre, oportunidade única de conhecer a cidade de uma maneira simplesmente perfeita... e ter um pneu furado no meio disso tudo (¬¬) mas contar com um batalhão de pessoas que fizeram a troca parecer um pitstop da Formula-1"

"Pedalar pelado na chuva com mais 120 ciclistas pelados, bloquear ruas e pedir pros carros esperarem o grupo passar... pelado... com 3 pistas de faróis iluminando a tua bunda... numa cidade que tu não conhece... com 116 pessoas que tu não conhece..."

"Não tem preço. Mas custou +-R$100, e valeu cada centavo."

"E amanhã começa a segunda metade da viagem, de volta a Floripa o/"

Saiba mais sobre Bicicletas, em seção dedicada no MObfloripa.

Portadores de necessidades especiais buscam superar dificuldades no transporte público em Florianópolis

28/02/2012

A Lei de Acessibilidade garante aos portadores de necessidades especiais o direito de utilização dos espaços com segurança e autonomia, inclusive no transporte público. Apesar de ter sido criada em 2000, só recentemente a Lei 10.098 passou a ser respeitada pelas empresas de transporte, que agora correm contra o tempo para adequarem-se às normas federais. Até 2014, toda a frota nacional de veículos públicos e seus respectivos terminais deverá ser adaptada para que os portadores de necessidades especiais possam utilizá-los.

Atualmente em Florianópolis existe pouco mais de 100 ônibus adaptados circulando pelas ruas, cobrindo 47 linhas. Tais veículos possuem elevador para o auxílio de cadeirantes - operado pelo cobrador ou pelo motorista do ônibus, que recebem treinamento prévio, além de cintos de segurança especiais e espaço interno adequado. Os ônibus adaptados podem ser identificados pelo selo que identifica portadores de necessidades, colado na parte frontal do veículo.

De acordo com o levantamento realizado pela reportagem do MObfloripa, a empresa Transol é a que possui mais veículos adaptados no momento: são 44, com previsão de chegada de outros 15, até o começo de março. Isso representa aproximadamente 1/3 do total da frota da empresa. A empresa Canasvieiras conta com 41 ônibus adaptados, dentro de um total de 148, enquanto 24 dos 120 veículos da Insular estão dentro das normas da Lei de Acessibilidade. Procurada, a empresa Estrela não atendeu à reportagem.

Segundo Anelise de Oliveira, da Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (AFLODEF), o número de veículos adaptados circulando na cidade ainda não é suficiente. Para amenizar a questão, a Associação costuma estabelecer uma "ponte" entre os cadeirantes e as empresas de transporte público, solicitando mudanças de horários e novas linhas à medida que os portadores de necessidades fazem os pedidos. De acordo com a AFLODEF, as empresas costumam atender às solicitações com agilidade.

Para Silso Brandão, cadeirante e responsável pela oficina da AFLODEF, o maior problema no transporte público adaptado em Florianópolis é justamente a falta de opções na questão dos horários: "Tem linhas que você precisa pedir com antecedência à empresa", relata, antes de completar: "Outra complicação é só poder ir um cadeirante por vez em cada ônibus". A questão da segurança, por outro lado, foi aprovada por Brandão, que elogiou ainda a paciência demonstrada pelos demais passageiros enquanto o cadeirante entra no veículo com a ajuda do elevador.

Conheça a seção dedicada aos portadores de necessidades especiais do MObfloripa.

Reinício das aulas complica ainda mais o trânsito em Florianópolis

 23/02/2012

Escolas buscam colaboração de pais e alunos para aplicação de medidas paliativas

Os moradores de Florianópolis já sabem: em dezembro e janeiro, durante a alta temporada, a enorme quantidade de turistas que chega à Ilha piora muito o trânsito em diferentes regiões da cidade. Chegam então os meses de fevereiro e março e o fluxo nas ruas se converte em um novo problema com a volta às aulas.

A maioria das escolas da Capital, entre públicas e particulares, voltou à rotina na segunda semana de fevereiro, pouco antes do Carnaval. A consequência para o trânsito foi imediata: filas enormes, especialmente nos bairros Pantanal e Carvoeira, além da Rodovia SC-405, que leva ao Sul da Ilha, na ponte Colombo Salles e nas ruas do Centro. 

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 10.861 alunos estão matriculados para frequentar as aulas do ensino fundamental nas escolas públicas da Capital em 2012. A estimativa é de que a soma total ultrapasse 28 mil alunos em Florianópolis, somente na esfera pública. De acordo com a assessoria da Secretaria, boa parte dos alunos de escolas públicas mora perto da instituição e locomove-se até ela a pé ou de bicicleta. Para os que moram a mais de um quilômetro e meio de distância da escola (cerca de 5.500 crianças), a Prefeitura concede gratuitamente um passe escolar de transporte coletivo.

Nas instituições particulares o problema é maior. Por segurança, muitos pais preferem levar os filhos à escola, o que deixa os horários de entrada e saída especialmente complicados. Quando os responsáveis param em frente à escola para que o filho desça ou entre no carro, o fluxo de carros é interrompido. Quando diversos pais fazem o mesmo, o trânsito fica totalmente estagnado. Isso sem contar o risco de envolver uma criança em um acidente. As escolas perceberam o problema e vêm fazendo o possível para amenizá-lo. 

O Colégio Catarinense, no Centro, que conta com 2.950 alunos em seu quadro, viu-se obrigado a alterar os horários de início e término das aulas. Há anos o trânsito na Rua Esteves Júnior fica especialmente complicado e a escola já cogita criar um novo portão de entrada, na Rua Almirante Lamego. Os alunos do ensino fundamental, inclusive, já contam com um portão de entrada alternativo, com espaço interno para que os pais entrem de carro e deixem os filhos com segurança. 

Já a Escola da Ilha, no Córrego Grande, orienta os alunos na conduta para os horários de maior movimento. Segundo o diretor Eliton de Amorim, os estudantes são aconselhados a utilizar os serviços de vans escolares. Os próprios pais recebem o mesmo conselho durante reuniões periódicas que são realizadas na escola e são alertados a não deixar veículos parados na frente do estabelecimento. Também há um bicicletário interno no local. A Escola da Ilha fica a caminho da Lagoa da Conceição e o local sofre com engarrafamentos na "hora do rush". 

De uma forma geral, cada instituição de ensino adota uma estratégia para abordar o tema, demonstrando que os problemas da mobilidade e da segurança nas ruas de Florianópolis também passam pela sala de aula. No Colégio Tradição, na Trindade, por exemplo, metade dos 220 alunos usa o serviço de vans e a escola discute Mobilidade Urbana durante as aulas de "Preparação Universal". A Escola Autonomia, que fica em local de grande movimento no bairro Itacorubi , também procura orientar pais e alunos, ao logo de todo o ano letivo, buscando conscientizá-los para a necessidade de uma atitude de colaboração. Já a Escola Sarapiquá, localizada no morro da Lagoa, está promovendo um abaixo-assinado por melhorias na Rodovia SC-404: o portão de entrada da escola fica em local de difícil acesso, especialmente para quem precisa atravessar a rodovia. 

Conheça aqui os prestadores de serviço na área do Transporte Escolar.

Protesto de moradores do Sul de Florianópolis bloqueia SC-405 na hora do rush

14/02/2012

Munidos de apitos, faixas e carro de som, cerca de 100 moradores do Sul da Ilha bloquearam uma das pistas da SC-405, no final da tarde desta segunda-feira, dia 13. Alguns ciclistas também participaram do protesto, que pediu mudanças urgentes no trânsito local. Boa parte do grupo era formado por mulheres e crianças, além de pessoas que iam se juntando ao grupo à medida que a caminhada avançava rumo ao trevo que leva ao aeroporto Hercílio Luz. O início do protesto foi na região do trevo que leva ao bairro campeche. 

Organizados pelo Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, os moradores reivindicaram, entre outras modificações, a construção de uma ciclovia na SC-405; redução do limite de velocidade, de 60km/h para 50km/h; implantação de uma pista para fazer o retorno na rodovia; e a criação de uma faixa de pedestres com semáforo no local. Quatro mo

radores chegaram a carregar um caixão à frente do grupo, simbolizando as mortes que já ocorreram - ou que ainda irão ocorrer - na região. 

Enquanto o grupo caminhava, o presidente do Conselho, João Bilck, falava ao microfone, cobrando ações mais enérgicas do Departamento Estadual de Infraestrutura de Santa Catarina - Deinfra, responsável pela rodovia - e dos políticos da prefeitura de Florianópolis: "Quem vive de promessa é santo, nós precisamos de ações imediatas", declarou o líder comunitário. Ele também pediu que todos os moradores do Sul da Ilha unam-se para cobrar melhorias.

O trânsito ficou extremamente lento no sentido Bairro-Centro, chegando a parar totalmente por diversos minutos. A fila de carros estendeu-se por pouco mais de 3km, justamente durante o período de maior movimento na rodovia.

Assista o vídeo "Floripa SC 405 - Rodovia do Perigo " para entender o caso.